2009-06-12

Oi, povo querido! (desculpem a demora)

Eu li uma coisa um dia desses e senti muita vontade de compartilhar com vocês. Achei tão bonito, tão eloqüente... é da Clarice Lispector, do livro Felicidade Clandestina:


"... Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe."


Me fez pensar em todas as negações forjadas como "ideais" que a gente tanto tenta sempre inventar. Ela mencionou Deus, mas eu penso em muitos "eus" imaginários que são construídos como forma de amarmos o nosso contrário, para que o convívio com si próprio seja menos incômodo e mais tranqüilizador.


(agora me sinto um mebro de fato)
Beijo para todos!

1 comentários:

Daniel disse...

belíssimo texto Nath,
desculpa a demora em comentar, eu já havia lido, mas não sabia o que dizer.
Seja bem vinda, e continue citando Clarice Lispector, nunca será demais.
beijo

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